Como Fazer Amigurumi de Milho Verde: Passo a Passo Completo

Tenho perdido a conta de quantas espigas de milho eu já fiz de crochê nesse último ano. Comecei tentando agradar minha filha, que pediu um “milho de pelúcia” depois de ver um quitutinho desses numa feira de artesanato, e acabei descobrindo que esse é um dos amigurumis mais gostosos de fazer: rápido, com poucas trocas de cor e que fica lindo tanto numa cozinha decorada quanto pendurado num móbile de bebê.
Se você chegou até aqui, provavelmente quer aprender a fazer o seu milho amigurumi também. Vou te mostrar o caminho que uso, com a contagem de pontos certinha, os materiais que realmente funcionam e algumas armadilhas em que eu mesma caí lá no começo.
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- Ideias de amigurumi para vender na época de festas juninas (e o que realmente sai)
Materiais que você vai precisar
- Linha amarela (para os grãos) — cerca de 25g numa linha tipo fio de malha ou linha própria para amigurumi (4 ou 6 fios)
- Linha verde (para a palha) — cerca de 15g
- Agulha de crochê 2,5mm ou 3mm, dependendo da espessura da sua linha
- Enchimento de fibra siliconada (manta acrílica também serve)
- Agulha de tapeçaria para arrematar e costurar as partes
- Marcador de ponto ou um pedacinho de linha de outra cor
- Olhos de segurança 6mm (opcional, se quiser dar um rosto à peça)
- Tesoura
Uma dica antes de começar: separe também um fio de linha verde bem escura, fininho, só para fazer aquelas “barbas” do milho, caso queira deixar a peça mais realista. Não é obrigatório, mas faz diferença no resultado final.
Pontos usados e abreviações
Esse projeto usa só pontos básicos, então mesmo quem está começando no amigurumi consegue fazer:
- pb = ponto baixo
- aumento = duas pb no mesmo ponto
- dim = diminuição (duas pb fechadas juntas)
A peça toda é feita em espiral, sem fechar as voltas com ponto deslizante, do jeito tradicional do amigurumi.
Parte 1: o corpo do milho (os grãos)
Comece com a linha amarela.
- Volta 1: 6 pb num anel mágico (6)
- Volta 2: aumento em todos os pontos (12)
- Volta 3: 1 pb, aumento repita 6x (18)
- Volta 4: 2 pb, aumento repita 6x (24)
- Volta 5: 3 pb, aumento repita 6x (30)
- Volta 6: 4 pb, aumento repita 6x (36)
A partir daqui, se você quiser um milho mais robusto, pode fazer mais uma volta de aumento até chegar em 42 pontos. Eu costumo parar em 36 porque acho que fica numa proporção mais parecida com um milho de verdade.
- Volta 7 a 22: pb em todos os pontos, sem aumentar (36)
São bastante voltas retas, eu sei, mas é justamente isso que dá o formato cilíndrico característico do milho. Aproveite esse trecho para assistir alguma coisa enquanto trabalha, porque é repetitivo mesmo.
Nessa altura, pare e coloque o enchimento. Encha bem, mas sem deixar a peça dura como pedra — o milho precisa ficar com uma superfície levemente irregular, parecendo grãos de verdade.
- Volta 23: 4 pb, dim repita 6x (30)
- Volta 24: 3 pb, dim repita 6x (24)
- Volta 25: pb em todos (24)
- Volta 26: 2 pb, dim repita 6x (18)
- Volta 27: 1 pb, dim repita 6x (12)
Continue colocando enchimento conforme for fechando.
- Volta 28: dim em todos (6)
Arremate deixando uma sobra de fio para fechar o buraco final.
A textura dos grãos
O que faz esse amigurumi parecer milho de verdade não é tanto a forma, é a textura. Depois de pronto o corpo, uso uma agulha de tapeçaria com a própria linha amarela e faço pequenos riscos verticais, passando a linha por baixo de alguns pontos em sequência, imitando as fileiras de grãos. Não precisa ser perfeito nem simétrico — milho de verdade também não é.
Parte 2: as folhas da palha
Aqui é onde a peça ganha personalidade. Faça pelo menos 4 folhas, podendo chegar a 6 se quiser uma espiga mais vestida.
Com a linha verde, monte uma corrente de 14 pontos.
- Carreira 1: a partir do segundo ponto da agulha, pb até o final (13)
- Carreira 2: 1 corrente, vire o trabalho, pb em todos, diminuindo 1 ponto a cada duas carreiras até sobrar 1 ponto na ponta
Na prática, isso forma um triângulo alongado, parecido com uma folha de palha mesmo. Repita até ter o número de folhas que você decidiu fazer.
Se preferir um caminho mais rápido, dá para fazer as folhas em ponto corrente simples e depois passar pb por cima — funciona, mas o resultado fica mais fino e menos robusto do que o método com carreiras de pb.
Montagem: juntando as partes
Posicione as folhas na ponta de cima do milho, onde você fez as diminuições finais, distribuindo ao redor como pétalas abrindo para fora. Costure cada folha com pontos firmes, prendendo bem a base dela ao corpo amarelo.
Vou contar um erro que cometi nas minhas primeiras espigas: costurei as folhas espaçadas igualmente, tipo uma flor, e ficou bonito, mas artificial. Quando reparei em fotos de milho de verdade, percebi que a palha costuma ficar mais concentrada de um lado e um pouco solta do outro. Deixar essa assimetria torna o resultado bem mais convincente.
Se for usar olhos de segurança, esse é o momento de encaixá-los, antes de fechar tudo — geralmente entre as voltas 10 e 14, com um espaçamento de 6 a 8 pontos entre eles. Mas atenção: olhos deixam o milho com cara de personagem infantil, então só use se for esse o efeito que você quer. Para peças decorativas mais realistas, prefiro deixar sem rosto.

Acabamentos que fazem diferença
Depois de montado, alguns detalhes pequenos elevam bastante o resultado:
Use a linha verde escura fininha para bordar algumas barbas saindo entre as folhas, imitando os fios secos que ficam na ponta de um milho real. Três ou quatro tufos já bastam.
Se notar que o corpo amarelo ficou meio liso demais mesmo depois dos riscos verticais, experimente passar a agulha por baixo de pontos aleatórios também na diagonal — isso quebra a uniformidade e imita melhor a irregularidade natural dos grãos.
Por fim, dê uma leve amassada nas folhas com a mão, dobrando as pontas para fora. Direto da agulha elas ficam meio rígidas e retas, e um milho de verdade tem a palha mais solta, caindo de um jeito mais natural.
Variações que valem a pena testar
Depois que você pegar o jeito da espiga básica, dá para adaptar para vários usos:
Chaveiro: faça uma versão reduzida, com a metade das voltas retas, e prenda uma argola de chaveiro na base antes de fechar.
Móbile de bebê: use tons mais claros de amarelo e verde, encha bem leve e costure um fio invisível na ponta de cima para suspender.
Ímã de geladeira: dispense o enchimento total — um pouco de manta já basta — e cole um ímã de neodímio na parte de trás, achatando levemente o corpo antes de fechar.
Pendente para guirlanda ou árvore: faça em miniatura, com metade da quantidade de pontos em cada volta, e troque o cordão pelo de fixação que combinar com a decoração.
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Esse é um daqueles amigurumis que parecem simples no papel e realmente são, mas o resultado final depende muito dos detalhes de acabamento: os riscos nos grãos, a assimetria das folhas, as barbinhas bordadas. É ali que a peça deixa de parecer um cilindro amarelo com triângulos verdes e passa a parecer milho de verdade.
Se for sua primeira vez fazendo amigurumi, não se preocupe em acertar a tensão dos pontos de primeira. O importante é a contagem certa em cada volta; a aparência final do tecido você ajusta com a prática. E se sobrar linha verde, já fica anotada a dica: faça uma segunda espiga, porque depois que alguém vê a primeira em pé na cozinha, sempre pede outra.
Como Fazer Amigurumi de Milho Verde – Imagem do topo: Diva Crochetaria via Youtube
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