3 Ideias de Artesanato com Resina Epóxi (E o Que Ninguém Te Conta Antes de Começar)

3 Ideias de Artesanato com Resina Epóxi. Resina epóxi tem um apelo difícil de explicar pra quem nunca trabalhou com ela. Tem algo de hipnótico em ver um líquido transparente se transformar, ao longo de horas, numa peça sólida e brilhante que guarda tudo que você colocou dentro. Uma flor, uma cor, uma memória. O problema é que a maioria dos tutoriais mostra só o resultado final — a foto bonita, a peça perfeita — sem falar das coisas que dão errado na primeira, segunda e terceira tentativa.
Este artigo é diferente. As três ideias aqui não são só inspiração: têm o que você vai precisar saber antes de comprar os materiais, onde os iniciantes mais erram e por que cada projeto funciona do jeito que funciona. A resina epóxi não é difícil, mas ela tem lógica própria — e entender essa lógica separa quem desiste na segunda peça de quem começa a vender.
1. Joias de Resina com Flores Secas

Parece simples, e de certa forma é — mas tem uma ordem de operações que, se você errar, vai virar bolhas, flores escurecidas ou resina que não desgruda do molde.
O que você vai precisar:
A resina ideal para joias é a de alta transparência, com tempo de cura longo — fuja das resinas de cura rápida para esse tipo de projeto, porque elas geram mais calor durante a reação química e podem queimar a flor por dentro, deixando ela marrom antes de solidificar. Marcas como a EpoxyBR Line Crystal e a Redelease 3D funcionam bem para brincos e anéis. Moldes de silicone são essenciais: são os únicos que soltam a peça sem esforço depois de curada. Se usar molde de plástico rígido, prepare-se para quebrar tudo ou arranhar a peça tentando tirar.
A parte que ninguém explica: a secagem das flores
O erro mais comum de quem começa é colocar flores frescas ou mal secas na resina. Qualquer umidade retida na flor vai reagir com a resina e criar manchas esbranquiçadas ou bolhas internas que não aparecem antes da cura completa. Flores de sílica gel secam em 48 a 72 horas dependendo da espessura da pétala. Flores prensadas entre papel absorvente levam de uma a duas semanas. O método do microondas com sílica funciona e é mais rápido, mas exige cuidado com flores mais delicadas como violetas, que murcham demais.
Como montar:
Misture a resina na proporção indicada pelo fabricante — geralmente 2:1 (resina:endurecedor) pelo peso, não pelo volume. Isso faz diferença. Misture devagar por pelo menos três minutos, raspando as paredes do recipiente. Despeje uma camada fina no molde, deixe curar por quatro a seis horas até ficar no ponto de gel (semifluida, mas que não escorre). Então posicione a flor e cubra com mais uma camada de resina. Fazer em camadas evita que a flor flutue e garante que ela fique centralizada na peça.
Tempo total de cura: 24 a 48 horas antes de desmontar. Depois disso, a peça ainda “verde” vai endurecer completamente em mais 5 a 7 dias. Use lixas de granulação progressiva (400, 800, 1200, 2000) e pasta de polimento para tirar o brilho final se a superfície não ficou perfeita ao sair do molde.
Por que vende: joias personalizadas com flores têm um apelo emocional que produtos industriais não conseguem replicar. Ninguém mais tem o mesmo brinco que você. Isso justifica preço — um par de brincos de resina artesanal bem acabado sai em média entre R$ 40 e R$ 120 dependendo da complexidade, e o custo de material por peça raramente ultrapassa R$ 8.
2. Bandeja ou Tábua Decorativa com Efeito Mármore

Esse projeto fica na fronteira entre bijuteria e decoração de casa — e é um dos que mais retornam financeiramente porque o produto final tem tamanho e presença. Uma tábua de servir com efeito mármore numa mesa de jantar chama atenção de uma forma que brincos menores não conseguem.
O que você vai precisar:
Aqui você pode usar uma tábua de MDF ou de madeira como base, ou trabalhar com molde de silicone grande (o formato de retângulo arredondado funciona bem para tábuas e bandejas de até 30 cm). A resina precisa ser de média viscosidade — resinas muito fluidas tendem a escorrer antes de curar em superfícies inclinadas, e resinas muito densas não se misturam com o pigmento de forma uniforme.
Os pigmentos que criam o efeito mármore são os pigmentos metalizados em pó — não confunda com pigmento líquido, que dilui demais a resina. O branco pérola como base e veios de ouro, preto e cinza são a combinação mais procurada. Você também vai precisar de um isqueiro ou maçarico culinário pequeno para estourar as bolhas de ar que sobem à superfície.
A técnica dos veios:
Despeje a resina branca (com pigmento pérola) na maior parte da área. Depois, com uma seringa ou palito, adicione linhas finas dos pigmentos de veio. A chave é não misturar demais — o mármore tem veios irregulares, não redemoinho homogêneo. Incline a tábua levemente para os lados para fazer a resina fluir e criar o movimento natural. Depois de ajustar, passe o maçarico a cerca de 15 cm de distância em movimentos circulares por uns 3 segundos. Não fique mais que isso: calor excessivo causa amarelamento.
Se você estiver usando uma base de madeira, lixe antes (grão 220), aplique uma camada fina de resina transparente para selar os poros e deixe curar completamente antes de aplicar a camada decorativa. Madeira que não foi selada suga a resina de baixo para cima e cria bolhas nos primeiros 20 minutos — parece que a resina está fervendo.
Acabamento:
Depois da cura completa, lixe as bordas com lixa 400 para tirar as rebarbas. Se quiser que a tábua realmente funcione para servir alimentos, use resina com certificação alimentícia (food safe) após a cura completa — várias marcas brasileiras têm essa certificação disponível, basta verificar na ficha técnica do produto. Coloque pezinhos de borracha na base para não riscar a mesa.
O detalhe que eleva a peça: uma alça de latão ou cobre parafusada no centro transforma a tábua numa peça que parece de loja de decoração importada. Uma alça de latão custa entre R$ 8 e R$ 25 dependendo do tamanho, e transforma completamente a percepção de valor do produto.
3. River Table — Mesa com Rio de Resina

Essa é a rainha dos projetos de resina epóxi. Também é a que mais intimida iniciantes — e com alguma razão, porque os erros aqui são maiores, mais caros e mais difíceis de corrigir. Mas feita certa, é o produto de artesanato com maior valor agregado que você pode criar com resina: mesas river table feitas por artesãos brasileiros são vendidas entre R$ 800 e R$ 8.000 dependendo do tamanho, da madeira e do acabamento.
O conceito:
Uma river table é uma mesa onde duas metades de madeira são posicionadas com um espaço entre elas, e esse espaço é preenchido com resina pigmentada criando o efeito de um rio visto de cima. O visual combina a textura orgânica da madeira com a translucidez e profundidade da resina — e funciona tanto em madeira clara com resina azul quanto em madeira escura com resina preta ou branca.
A madeira certa:
Não existe river table com MDF. A madeira precisa ser maciça, com bordas naturais (chamadas de bordas vivas ou live edge), e precisa estar completamente seca — teor de umidade abaixo de 12%. Madeira úmida contrai depois que a resina cura e pode rachar a peça inteira. Espécies como louro, cedro, nogueira e imbuia são muito usadas por artesãos brasileiros. Uma prancha de live edge de 1,50m por 40cm sai em média entre R$ 150 e R$ 400 dependendo da espécie e da região.
A resina certa:
Para projetos grandes, você precisa de resina de cura lenta e baixo calor exógeno. Resinas de cura rápida em volumes grandes geram calor suficiente para rachar a madeira, criar bolhas enormes e até deformar a peça. A proporção de mistura deve ser rigorosa — aqui o erro de 5% na medição já afeta o resultado final. Use balança de precisão, não copo medidor.
A forma de contenção:
Antes de despejar a resina, você precisa montar uma forma vedada embaixo e nas laterais para conter o líquido. Fita de silicone e placas de MDF ou melamínico funcionam bem. O segredo está na vedação: qualquer fuga vai fazer você perder material e deixar rastros de resina por toda a bancada.
O processo de vazamento:
Despeje em camadas de no máximo 2 cm por vez para projetos mais fundos. Cada camada precisa atingir o ponto de gel (geralmente entre 12 e 18 horas dependendo da resina e da temperatura ambiente) antes de receber a próxima. Temperatura ideal de trabalho fica entre 20°C e 28°C. Abaixo disso, a resina cura mais lento e pode ficar com aspecto leitoso. Acima de 32°C, a reação é muito rápida e o risco de superaquecimento aumenta muito.
Acabamento:
Depois da cura total (72 horas para desmontar, mais 7 dias para atingir dureza máxima), lixe toda a superfície começando em grão 80, passando por 120, 220, 400, 800 e terminando em 1200 antes de polir. Use orbital ou politriz com pasta de polimento para o brilho final. As pernas podem ser de madeira torneada, de ferro industrial ou de aço inox — cada uma entrega uma estética diferente, e isso vai influenciar diretamente o público que vai se interessar pela peça.
Por que começar com projetos menores antes:
Uma river table exige controle de processo que você só desenvolve fazendo os dois projetos anteriores primeiro. Quem pula direto para a mesa sem ter feito pelo menos dez peças menores antes geralmente erra na vedação, na proporção ou no acabamento — e o custo de uma mesa mal executada pode passar de R$ 400 em material perdido. Não é pra assustar, é pra planejar.

Uma última coisa sobre trabalhar com resina epóxi: o equipamento de proteção não é opcional. Luvas nitrílicas longas (as de latex comum são permeáveis à resina), óculos de proteção e máscara com filtro para vapores orgânicos. Trabalhar em ambiente ventilado é o mínimo — uma janela aberta não substitui exaustão ativa num projeto grande. Os vapores da resina epóxi não curada são irritantes e cumulativos. Quem ignora isso no começo sente nos olhos, nariz e pulmões depois de uns meses de trabalho constante.
A resina epóxi é um material com potencial real de renda, seja vendendo peças ou dando aulas. Mas como qualquer ofício, o resultado que aparece no feed de outras pessoas é a soma de muitas tentativas que nunca foram postadas. Começa pequeno, erra pequeno, aprende rápido.
Imagem do topo: Mesa Resinada
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